Meu marido e eu passamos vários meses conversando e amadurecendo a ideia de darmos o ponta pé inicial para sermos pais por adoção. Depois foram 14 longos meses sendo avaliados e preparados para que pudéssemos ser considerados pelo 'sistema' como um casal habilitado pretendente à adoção, até que um dia, finalmente, recebemos nosso BetaHCG do Coração: o deferimento da juiza e nossa inclusão no CNA - Cadastro Nacional de Adoção (veja o post aqui).
Pensei: Agora é só alegria!
É claro que temos certeza que queremos ser pais por adoção e eu, particularmente, estou muito feliz por estar grávida no coração, no entanto, junto com felicidade, ansiedade, alegria e tantos outros sentimentos esperados nessa fase, confesso que estou com medo.
Medo? Sim, medo. Caiu a ficha de que a qualquer hora o telefone pode tocar, o primeiro encontro pode acontecer e a hora do parto vai chegar e com ele as dores e as delícias de ser, finalmente, mãe.
Numa gravidez biológica sabe-se que o primeiro trimestre é repleto de sensações e sentimentos parecidos, todos mergulhados num mar de hormônios.
À princípio fiquei triste em abrigar o medo no meu coração que já ama tanto, mas pensando melhor e com mais serenidade a respeito, descobri que o que eu sinto é legítimo e super compatível com essa nova fase da minha vida.
Que mãe nunca temeu abortar?
Algumas mães que geram seus filhos no ventre escolhem contar a novidade somente após o terceiro mês porque levam em consideração que é super comum o aborto no início. Já o meu medo como mãe que gera no coração é não saber o tempo que levará nossa espera. Serão dias? Meses? Anos? E se não tocar o telefone até esse natal ou quantos dias das mães meus filhos terão de passar como se fossem mais um domingo qualquer?
Medo das mudanças que estão por vir, afinal são 17 anos de casamento onde somos nós e dois gatos.
Medo ao achar que porque estamos na casa dos quarenta anos esperamos muito tempo para decidir adotar e não teremos o pique de dez anos atrás.
Medo de não dar conta, de não saber o que fazer, de não saber socorrer numa emergência.
Medo de não saber educar e ensinar em amor e de corrigir com amor maior ainda.
Medo de não ter saúde o suficiente para cuidar dos meus filhos.
Medo de não conseguir protegê-los ou que eles não me adotem como sua mãe.
São tantos medos em meio a uma única certeza: quero ser mãe e nasci pra sê-lo.
Pode ser que algumas futuras mães leiam esse post e pensem ser exagero da minha parte e que isso tudo é sofrer por antecipação. Outras podem ler e se identificar acrescentando à minha lista outros tantos motivos que as fazem sentir medo mesmo estando convictas de que nasceram para a maternidade.
Não importa.
Importa é que esses medos sejam dissipados pelo amor para que dê tudo certo. Que na hora exata a força venha, que a sabedoria direcione, que nosso abraço seja um porto seguro quentinho e cheio de afeto, que os instintos maternos se aflorem naturalmente e que nossa entrega seja sem medida e intensa.
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| Elevo
os meus olhos para os montes; de onde me vem o socorro? O meu socorro vem do Senhor, que fez os céus e a terra. Salmo 121:1,2 |
Termino este post dizendo pra mim mesma e pra você que se identificou com esse desabafo:
Vai. E se der medo, vai com medo mesmo, porque o amor é maior que tudo isso.
Que Deus nos ajude, nos abençoe e nos dê graça!
Aos nossos filhos, nossa certeza na espera
Filhos, é normal sentir medo, assim como muitas vezes também o sentimos. Saibam que a certeza de que queremos ter vocês é infinitamente maior do que qualquer um dos nossos temores.
Estejam certos disso sempre. Assim como nós também estamos.
Com amor,
Seus pais.
