terça-feira, 24 de maio de 2016

Vai. E se der medo, vai com medo mesmo!

Confesso que foi um parto escrever este post. Foi dolorido. Primeiro por não aceitar esse sentimento e segundo por relutar em compartilhar. Mas vamos lá!

Meu marido e eu passamos vários meses conversando e amadurecendo a ideia de darmos o ponta pé inicial para sermos pais por adoção. Depois foram 14 longos meses sendo avaliados e preparados para que pudéssemos ser considerados pelo 'sistema' como um casal habilitado pretendente à adoção, até que um dia, finalmente, recebemos nosso BetaHCG do Coração: o deferimento da juiza e nossa inclusão no CNA - Cadastro Nacional de Adoção (veja o post aqui).

Pensei: Agora é só alegria!

É claro que temos certeza que queremos ser pais por adoção e eu, particularmente, estou muito feliz por estar grávida no coração, no entanto, junto com felicidade, ansiedade, alegria e tantos outros sentimentos esperados nessa fase, confesso que estou com medo.

Medo? Sim, medo. Caiu a ficha de que a qualquer hora o telefone pode tocar,  o primeiro encontro pode acontecer e a hora do parto vai chegar e com ele as dores e as delícias de ser, finalmente, mãe. 

Numa gravidez biológica sabe-se que o primeiro trimestre é repleto de sensações e sentimentos parecidos, todos mergulhados num mar de hormônios.

À princípio fiquei triste em abrigar o medo no meu coração que já ama tanto, mas pensando melhor e com mais serenidade a respeito, descobri que o que eu sinto é legítimo e super compatível com essa nova fase da minha vida.

Que mãe nunca temeu abortar?
Algumas mães que geram seus filhos no ventre escolhem contar a novidade somente após o terceiro mês porque levam em consideração que é super comum o aborto no início. Já o meu medo como mãe que gera no coração é não saber o tempo que levará nossa espera. Serão dias? Meses? Anos? E se não tocar o telefone até esse natal ou quantos dias das mães meus filhos terão de passar como se fossem mais um domingo qualquer?

Medo das mudanças que estão por vir, afinal são 17 anos de casamento onde somos nós e dois gatos. 

Medo ao achar que porque estamos na casa dos quarenta anos esperamos muito tempo para decidir adotar e não teremos o pique de dez anos atrás.

Medo de não dar conta, de não saber o que fazer, de não saber socorrer numa emergência.

Medo de não saber educar e ensinar em amor e de corrigir com amor maior ainda.

Medo de não ter saúde o suficiente para cuidar dos meus filhos.

Medo de não conseguir protegê-los ou que eles não me adotem como sua mãe.

São tantos medos em meio a uma única certeza: quero ser mãe e nasci pra sê-lo.

Pode ser que algumas futuras mães leiam esse post e pensem ser exagero da minha parte e que isso tudo é sofrer por antecipação. Outras podem ler e se identificar acrescentando à minha lista outros tantos motivos que as fazem sentir medo mesmo estando convictas de que nasceram para a maternidade.

Não importa.

Importa é que esses medos sejam dissipados pelo amor para que dê tudo certo. Que na hora exata a força venha, que a sabedoria direcione, que nosso abraço seja um porto seguro quentinho e cheio de afeto, que os instintos maternos se aflorem naturalmente e que nossa entrega seja sem medida e intensa.
   
Elevo os meus olhos para os montes; de onde me vem o socorro? O meu socorro vem do Senhor, que fez os céus e a terra. Salmo 121:1,2
Elevo os meus olhos para os montes; de onde me vem o socorro?
O meu socorro vem do Senhor, que fez os céus e a terra. Salmo 121:1,2

Termino este post dizendo pra mim mesma e pra você que se identificou com esse desabafo:

Vai. E se der medo, vai com medo mesmo, porque o amor é maior que tudo isso.


Que Deus nos ajude, nos abençoe e nos dê graça!



Aos nossos filhos, nossa certeza na espera

Filhos, é normal sentir medo, assim como muitas vezes também o sentimos. Saibam que a certeza de que queremos ter vocês é infinitamente maior do que qualquer um dos nossos temores.
Estejam certos disso sempre. Assim como nós também estamos.

Com amor,
Seus pais.



13 comentários:

  1. Aguarde só seu filho chegar que esse medo vai se tornar estratosférico. Quando minha filha chegou o medo era o sentimento mais light que eu tinha, rsrs. Sabe aquela história de ouvir sininhos e amar aquela criança desde sempre? Não existe, o que existe é a disponibilidade em amar, a vontade de amar, o carinho inicial como vc sente por qualquer outra criança, aquela criança que está ali sendo apresentada como filho, só se torna filho com as noites sem dormir, o cuidar diário e rotineiro, o dar comida, o limpar bumbum, o trocar fraldas, o embalar serenamente até que durma, o olhar de carinho, a brinca necessária, então de repente (só que não tão de repente assim), vc se percebe mãe e aquela criança passa a fazer parte da sua alma e do seu corpo, vc tem necessidade física de estar com ele, o afastamento ocasional ( escola dele, trabalho seu) é um sofrimento que chega a doer fisicamente. Nesse momento vc se torna mãe, não quando recebeu a ligação, não quando conheceu a criança, não quando a trouxe para casa, mas quando vc ama aquele serzinho mais que a vc mesma. É o que eu penso e o que senti. Não se iluda, amor é construção diária e na maternidade tanto biológica quanto adotiva, não é diferente. Prepare seu coração porque medo será o sentimento mais light quando seu filho finalmente chegar. Minha filha chegou a 4 anos e estou na fila para a segundinha.

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    1. Era tudo o que eu precisava ouvir! Quanto medo desses sininhos! Muito bom saber q tornar-se mãe é um processo, que o amor vem aos poucos! Gratidão pelas suas palavras!

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  2. Estou a 1 ano esperando mais a ansiedade toma conta de mim certos dias mais creio que na hora certa vai vim....

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  3. Me reconheço nas suas palavras. Meu processo foi julgado procedente e estou na espera para 'receber' a habilitação. E tem medo, tem ansiedade, tem tantas perguntas! Mas tem uma felicidade extrema e o desejo que tudo seja breve.
    Torcedo por vocês. <3

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    1. Também torço por você Juliana! Bom saber que não sou a única ;)
      bjs

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  4. Oiii... passei por tudo isso que estão passando e finalmente minhas filhas chegaram, sim,duas menininhas lindas de quatro e cinco anos. Elas estão a seis meses conosco e agora estamos na "reta final" do processo.
    O medo ainda não passou e a adaptação é extremamente exaustiva... porém, cada vez que ouço um MÃE EU TE AMO...
    Meu coração se enche de paz e esperança, de que tudo está em seu devido lugar.
    Desejo a vocês,esperança,fé,coragem e muita determinação. Principalmente quando Deus filhos estiverem com vocês.
    Haverá momentos e que irão se perguntar se são capazes de tamanho feito. E respondo,SIM,a partir do instante em que se propuseram a se doar em amor, inicia - se uma nova história... e com certeza terá um final feliz !!!
    Abraços.

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    1. Que delícia, Elisangela! Que dê tudo certo com seu processo e conto com suas visitas por aqui para que nos conte suas experiências. Muito bom ouvir... Obrigada! bjs

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  5. Oiii... passei por tudo isso que estão passando e finalmente minhas filhas chegaram, sim,duas menininhas lindas de quatro e cinco anos. Elas estão a seis meses conosco e agora estamos na "reta final" do processo.
    O medo ainda não passou e a adaptação é extremamente exaustiva... porém, cada vez que ouço um MÃE EU TE AMO...
    Meu coração se enche de paz e esperança, de que tudo está em seu devido lugar.
    Desejo a vocês,esperança,fé,coragem e muita determinação. Principalmente quando Deus filhos estiverem com vocês.
    Haverá momentos e que irão se perguntar se são capazes de tamanho feito. E respondo,SIM,a partir do instante em que se propuseram a se doar em amor, inicia - se uma nova história... e com certeza terá um final feliz !!!
    Abraços.

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  6. Não se preocupe, quando o dia chega é muita felicidade e a gente dá conta. Os meus chegaram assim mesmo, eu tinha 41 e 43 anos, um telefonema e em 24h já estavam em casa. Não temos o mesmo pique, claro, mas temos muito mais do que imaginamos. Vou fazer 50 e apesar do cansaço, estamos aqui, firmes e forte, com muitos desafios, igual aos que meus irmãos e amigos com filhos biológicos viveram. Portanto, não se preocupe, seu medo rapidamente vai se transformar em alegria e será para sempre.

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    1. Obrigada por compartilhar, Dayse! Sei que os desafios são em sua maioria, como os que passaríamos com filhos biológicos... mesmo assim o medo vem. Espero que consigamos, como vcs, a superar e seguir adiante! Espero que nos visite por aqui mais vezes porque é muito bom ouvir as experiências de quem já está passos adiante. Bjs

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  7. Tive uma gravidez que não foi adiante,mas,mesmo querendo tanto um filho, fiquei em pânico quando recebi o exame positivo.Após essa aborto espontâneo e com mais de 40 anos,resolvemos,meu companheiro e eu,sermos pais por adoção.Após 3 anos de todo o processo,recebemos o telefonema para conhecermos nossos filhos,um casal de 8 e 4 anos e novamente o pânico me dominou,mas no primeiro "eu te amo mãe!!" a gente passa a entender q o amor e a cumplicidade supera tudo!!

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    1. Que lindo! Não vemos a hora da nossa hora chegar! Obrigada por contar pra gente um pouco da sua experiência. Esperamos ver vc mais vezes por aqui! bjs

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